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A decisão de 1999 que aniquilou nosso futuro

Robert Kiyosaki

Caro Leitor,

A Lei dos Bancos de 1933, conhecida como Lei Glass-Steagall, foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos com o objetivo de separar bancos de investimento de bancos de varejo.

O projeto de lei foi elaborado “para proporcionar o uso mais seguro e eficaz dos ativos dos bancos, regular o controle interbancário, impedir o desvio indevido de fundos em operações especulativas e para outros fins”. Os bancos de varejo já não podiam mais receber depósitos, gerenciar contas correntes e conceder empréstimos usando os fundos dos depositantes para investimentos arriscados.

Tudo parece muito bem.

Como cliente de um banco de varejo, você não argumentaria que o Congresso não estava agindo em prol de algo que não fosse do seu interesse.

De fato, esta lei trouxe de volta muita credibilidade ao sistema bancário após o crash da bolsa de 1929.

Castelo de cartas

Em 1974, a ERISA, Lei de Seguridade de Rendimentos para Trabalhadores Aposentados, foi aprovada e abriu caminho para o surgimento dos fundos de previdência como o do tipo 401(k), o IRA e os planos de pensão de funcionários. Ela abriu as portas aos trabalhadores pobres e a classe média do grande cassino como são conhecidos os mercados de ações e de títulos. Mas sem dar a eles nenhuma orientação financeira.

À medida que os líderes imprimiam dinheiro, saqueando a maioria dos trabalhadores, poucos investidores da classe média, como o meu pai rico, pegaram carona na situação e se deram bem enquanto os mercados de ações, títulos e imóveis explodiram em bolhas.

Em 1978, milhões de amadores foram forçados a participar dos grandes cassinos que na verdade eram os bancos de Wall Street, pertencentes aos ricos. Os ricos e poderosos mantiveram seus ganhos, mesmo quando perderam o dinheiro de outras pessoas.

Meu pai rico chamava esse gigantesco “cassino” de castelo de cartas.

Esse castelo de cartas se tornou ainda mais instável em 1999, quando o senador Phil Gramm, em 1997 e 1998, ajudou a revogar a Lei Glass-Steagall.

A revogação da Lei Glass-Steagall foi um dos maiores assaltos a banco da história.

Existem dois tipos de assaltantes de bancos: aqueles que roubam os bancos pelo lado de fora e aqueles que roubam pelo lado de dentro. Este foi o melhor roubo interno já realizado, pois revelou a relação consangüínea entre o governo, o Fed e os banqueiros ultra-ricos de Wall Street.

Uma vez que a lei foi revogada, o dinheiro dos americanos foi parar em um cassino — um grande cassino. Eles puderam pegar as economias das pessoas e colocá-las em um cassino. Se perdem o dinheiro, os contribuintes cobrem o rombo. Quando o cassino perde dinheiro, o Fed e o Tesouro dos EUA resgatam o cassino, salvando os ricos às custas do futuro das pessoas.

Os ricos apostam o dinheiro das pessoas, os ricos perdem o dinheiro delas e elas pagam pela perda do próprio dinheiro via impostos. E o dinheiro do resgate paga os bônus dos ricos que apostaram e perderam o dinheiro das pessoas.

Um cassino depende de perdedores

Um cassino depende da existência de perdedores para que aqueles que estão no topo possam ganhar. Em 1974, era o chamado 401k. Eles precisavam de mais perdedores para entrar no mercado, e o que os planejadores financeiros disseram às pessoas? “Economize dinheiro e invista a longo prazo no mercado de ações.” Eles precisavam de pessoas para entrar no mercado e impulsioná-lo.

Na década de 1980, Wall Street começou a vender aos conselheiros dos fundos de pensão (compostos por professores, bombeiros e policiais) “ativos de crédito” de alto risco. Em 1984, as aposentadorias dos funcionários públicos representavam 60% do PIB americano. Em 2019, eram 120%.

Até 1990, os fundos de pensão de funcionários públicos estavam se tornando “o investidor global dominante”. Mas isso começou a desmoronar quando o Long-Term-Capital Management, um fundo de hedge em que muitos fundos de pensão investiram, implodiu. Wall Street acabou resgatando o LTCM.

Em 1998, os alicerces do cassino global de papel começaram a ruir e grandes choques passaram a ocorrer. Após o crash de 2008, os bancos centrais globais e o governo dos EUA imprimiram cerca de US$ 9 trilhões para salvar a si mesmos e a seus amigos.

Por que alguém iria investir a longo prazo no mercado de ações quando ele é um cassino? Meu receio é que, os mais velhos como eu, estão sentados por aí confiando em seus planos de aposentadoria que na verdade estão quebrados. O sistema de previdência da Califórnia está quebrado, o sistema de previdência do Havaí está quebrado. O sistema de previdência de Chicago está quebrado. Quando este cassino finalmente acabar, minha geração estará ferrada.

Desde 1971, os trabalhadores pobres e da classe média que trabalharam duro para ganhar dinheiro “de mentira” também pouparam “dinheiro mentira” e investiram em ativos “de mentira” geridos por gestores de fundos “de mentira” formados nas melhores escolas de negócios. Eles se tornaram os maiores perdedores da atualidade.

Desde 1971, o dólar perdeu 97% de seu poder de compra. A história provou que a impressão de dinheiro “de mentira” nunca acaba em prosperidade. A história é uma prova de que imprimir dinheiro “de mentira” sempre acaba em pobreza para quem trabalha por dinheiro “de mentira”.

Na minha opinião, a melhor maneira de se preparar é não precisar de dinheiro.

Não combata o sistema

No fim das contas, não é o governo que tem o poder. É o Fed e os bancos ultra-ricos. Este último programa de estímulo dos EUA é simplesmente uma maneira de pacificar os eleitores e fazer com que pareça que o governo está fazendo algo. Os problemas fundamentais que causaram a crise ainda persistem — e as pessoas responsáveis ainda estão no poder. O ciclo de boom e crash continuará como sempre vem ocorrendo desde que o ex-presidente Richard Nixon tirou o dólar do padrão ouro, em 1971.

Não faz sentido combater o sistema. Em vez disso, você precisa aprender a jogar de acordo com as regras dos ricos. Você não pode esperar que o governo o resgate. Ele faz isso apenas com bancos e empresas poderosas — e usa seu dinheiro para fazer isso. Contar com o governo e a regulamentação para salvar você e o país o leva a decepções e fracassos.

Somente educando-se sobre dinheiro e assumindo o controle de seu futuro financeiro, seguindo as regras dos ricos, você poderá prosperar. O jogo é sempre inclinado a favor dos ricos e poderosos. Mas você pode optar por sair e prosperar entendendo como o mundo e o dinheiro funcionam, assim como os ricos fazem.

Muitos serão aniquilados pela depressão que se aproxima. Mas eu quero ver você se dar bem. Continue sua educação financeira e entenda as regras do jogo. Somente assim você poderá prosperar à medida que outros perecerem.

Abraço,

​Robert Kiyosaki