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Eliminando a dependência dos EUA de medicamentos

Robert Kiyosaki

Caro Leitor,

A disseminação de informações e desinformação — como o próprio coronavírus — é rápida e imprevisível. 

Naturalmente, muitas pessoas estão confusas sobre o que é real e o que não é, se devem se preocupar com o coronavírus ou se não devem. E é por isso que estou escrevendo sobre esse tópico hoje.

Todo mundo está com medo de ser contaminado pelo coronavírus, mas é nisso aqui que você realmente deveria focar: quando a pandemia do coronavírus surgiu no início deste ano, os Estados Unidos foram forçados a avaliar o gargalo da China no que diz respeito a produtos farmacêuticos e outros equipamentos de emergência.

A FDA, agência americana que regula alimentos e medicamentos, divulgou inicialmente uma declaração de que se via forçada a monitorar de perto a cadeia de suprimentos de produtos médicos, incluindo interrupções no fornecimento ou escassez de produtos críticos nos EUA, porque muitos dos componentes desses produtos sob demanda são fabricados na China.

Em uma declaração de fevereiro de 2020, a FDA disse:

“Desde 24 de janeiro, a FDA está em contato com mais de 180 fabricantes de medicamentos para uso humano, não apenas para lembrá-los dos requisitos legais aplicáveis para notificar a FDA sobre quaisquer interrupções previstas no fornecimento, mas também pedindo que avaliem toda a sua cadeia de suprimentos, incluindo ingredientes farmacêuticos ativos (o ingrediente principal de um medicamento e a parte que produz os efeitos pretendidos, como por exemplo o acetaminofeno) e outros componentes fabricados na China.

Além disso, como parte dos nossos esforços, a FDA identificou cerca de 20 outras drogas, cuja única fonte de seus ingredientes farmacêuticos ativos ou medicamentos acabados é a China. Entramos em contato com essas empresas para avaliar se elas enfrentam riscos de escassez de medicamentos devido ao surto. Nenhuma dessas empresas relatou escassez até o momento. Além disso, esses medicamentos são considerados não críticos.”

“Por muito tempo, contamos com a fabricação estrangeira e cadeias de suprimentos no exterior para nossos medicamentos e ingredientes farmacêuticos ativos mais importantes, ao mesmo tempo em que colocamos em risco a saúde nos Estados Unidos, a segurança e a segurança nacional”, disse Peter Navarro, diretor do Escritório de Comércio e Política de Manufatura da Casa Branca.

Durante as décadas de 1960 e 1970, o presidente Richard Nixon atuou para abrir as portas para a China. Embora eu apóie o comércio com a China, vale ressaltar que a dependência dos EUA da China com relação a medicamentos é motivo de preocupação.

Começou com a penicilina

Na década de 1980, o governo chinês começou a investir grandes quantias de dinheiro nos tanques de fermentação nos quais a penicilina cresce. Isso causou uma grande interrupção no mercado, forçando basicamente outros produtores a abandonar o segmento — incluindo os EUA.

Em 1999, o presidente Bill Clinton incentivou a admissão da China na OMC, a Organização Mundial do Comércio. Clinton prometeu que a abertura do comércio com a China aumentaria o número de empregos nos EUA e reduziria nosso déficit comercial.

Ele também disse: “Este é um acordo de cem a zero para os EUA”. Em 2001, a China foi admitida na OMC. Como você sabe, Clinton costuma ter um problema com a verdade. O acordo acabou sendo um negócio de cem a zero — a favor da China.

Assim como outras manufaturas, a manufatura de medicamentos foi transferida para a China porque os custos trabalhistas e regulatórios são muito mais baixos lá. Em 2004, foi fechada a última fábrica nos EUA que produzia os principais ingredientes para antibióticos cruciais como a penicilina.

Os ingredientes críticos para a maioria dos antibióticos agora são fabricados quase que exclusivamente na China e na Índia. O mesmo vale para dezenas de outros medicamentos essenciais, incluindo o popular antialérgico prednisona; o metformina, para diabetes; e o amlodipina, para pressão alta.

Coronavírus 

A China se tornou o segundo maior exportador de medicamentos para os EUA e o maior para dispositivos médicos, por isso foi natural que, quando a pandemia estourou e a fabricação chinesa parou, os EUA se preocupassem com sua cadeia de suprimentos.

“Se a China fechasse as portas para a exportação de medicamentos e de seus principais ingredientes e matérias-primas, os hospitais, clínicas e hospitais militares dos EUA deixariam de funcionar dentro de meses ou mesmo dias”, disse Rosemary Gibson, autora de um livro sobre o assunto chamado “China Rx”.

Além dos medicamentos usados durante a pandemia, a FDA também permitiu que 90 empresas — muitas baseadas na China — vendessem testes de sangue para a Covid-19 que forneciam resultados imprecisos, sem a revisão ou aprovação federal formal.

“Testes de ‘qualidade francamente dúbia’ inundaram o mercado americano”, disse Scott Becker, diretor-executivo da Associação de Laboratórios de Saúde Pública.

Também não impediu exames de sangue falhos. Quando o mundo estava se esforçando para encontrar equipamentos de proteção individual (EPIs) para trabalhadores de hospitais e outros profissionais atuando na linha de frente de combate ao coronavírus, o controle de qualidade se tornou outro tema para os produtos importados da China. Filtros inadequados e ajustes inadequados tornaram muitos dos produtos inutilizáveis para uso hospitalar.

De acordo com um artigo do jornal “Los Angeles Times”, nos EUA, “em março 12, integrantes do Conselho de Estado anunciaram em uma coletiva de imprensa que autoridades apreenderam mais de 80 milhões de máscaras falsificadas ou defeituosas e 370.000 desinfetantes falsos ou adulterados e outros produtos de combate ao coronavírus somente no mês anterior”.

Fechando a porta para a China

Quando você olha para o mundo, é fácil ver a China vendendo e os EUA comprando. Em outras palavras, os EUA compram mais do que vendem pelo simples fato de que qualquer coisa que possa ser fabricada no Ocidente pode ser fabricada na China por um preço menor.

Mas, em maio, o jornal “The New York Times” informou que o governo Trump anunciou um dos “maiores contratos de todos os tempos para levar a fabricação de produtos farmacêuticos do exterior para uma nova fábrica na Virgínia”. A empresa Phlow recebeu um contrato de quatro anos no valor de US$ 354 milhões para fabricar medicamentos e ingredientes genéricos usados no tratamento contra a Covid-19.

Embora a Phlow tenha sido incorporada apenas em janeiro de 2020, ela diz que está trabalhando com outros medicamentos desde o ano passado para eliminar a dependência de produtos farmacêuticos da China, mas, com a situação emergencial causada pelo coronavírus, a empresa mudou de rumo para atender ao pedido de fabricar medicamentos genéricos para combater a Covid-19.

Embora isso seja uma grande notícia para os EUA e, esperançosamente, um ponto de virada para trazer de volta para casa mais cadeias de produção e suprimentos, isso não significa que está resolvida a questão da dependência americana ou de outros países da China.

Abraço,

​Robert Kiyosaki

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