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Há dinheiro em ações de caridade

Robert Kiyosaki

Caro Leitor,

Meu pai rico sempre me lembrava de um verso da Bíblia: “Dê e você receberá”. Ser generoso e retribuir à comunidade são elementos essenciais para o crescimento do seu negócio.

Você pode não saber como os retornos de sua doação se darão, mas eles vão ocorrer. Quanto mais pessoas você servir, mais rico você se tornará.

Minha mãe e meu pai eram pessoas muito generosas, mas não eram da mesma forma que meu pai rico. Como chefe da área de educação no Havaí, duas ou três vezes por semana meu pai voltava para casa, jantava com os filhos e saia de novo para as reuniões da Associação de Pai e Mestres. Eu lembro que quando era criança ficava acenando pela janela da cozinha enquanto via o carro do meu pai sair da garagem rumo à reunião onde ele buscava ajudar ao maior número possível de famílias. Muitas vezes ele dirigia mais de 160 quilômetros até o local de uma reunião e voltava na mesma noite apenas para ver e falar com seus próprios filhos de manhã.

Minha mãe com frequência nos fazia trabalhar com ela na igreja vendendo bolos ou nos brechós que eram organizados. Ela acreditava firmemente no trabalho voluntário e queria que seus filhos fizessem o mesmo. Como enfermeira, ela também fazia trabalho voluntário na Cruz Vermelha. Eu lembro que durante desastres como maremotos ou erupção de algum vulcão na região, ela e meu pai passavam dias fora de casa ajudando as vítimas. Quando tiveram a oportunidade de participar do Corpo da Paz, organização criada pelo então presidente John Kennedy para ajudar países em desenvolvimento, eles não pensaram duas vezes, apesar de isso representar um significativo corte salarial para ambos.

A diferença que a riqueza pode fazer

O meu pai rico e a sua esposa tinham o mesmo ponto de vista dos meus pais. Sua esposa era atuante em um grupo de mulheres que constantemente levantava dinheiro para causas louváveis. Meu pai rico doava dinheiro regularmente para sua igreja e várias instituições de caridade e participou dos conselhos de duas organizações sem fins lucrativos.

A lição que aprendi tanto com meu pai rico como com meu pai pobre foi que, não importa se você é socialista ou capitalista, a caridade começa em casa. Se você quer que seus filhos sejam ricos, os ensine a servir ao maior número possível de pessoas. Essa é uma lição inestimável que eles devem aprender.

Quando eu era menino, meu pai rico me pediu para comprar três cofrinhos diferentes. Eles foram rotulados da seguinte maneira:

  1. Dar: Meu pai rico acreditava em fazer doações a igrejas e instituições de caridade. Ele pegava 10% de sua renda bruta e a doava. Ele costumava dizer: “Deus não precisa receber, mas os humanos precisam dar”. Ao longo dos anos, descobri que muitas das pessoas mais ricas do mundo começaram a vida com o hábito de dízimo. Meu pai rico tinha certeza de que devia muito de sua boa fortuna ao dízimo. Ele também costumava dizer: “Deus é meu parceiro. Se você não paga ao seu parceiro, ele para de trabalhar e você precisa trabalhar dez vezes mais.”
  2. Economizar: O cofrinho número dois era para a poupança. Como regra geral, meu pai rico acreditava em ter economias suficientes para cobrir as despesas de um ano. Por exemplo, se suas despesas totais por ano fossem de US$ 35.000, ele achava importante ter economias no valor de US$ 35.000. Depois que economizasse esse valor, ele doava o restante. Se suas despesas aumentassem, o montante que ele tinha como poupança teria que aumentar na mesma proporção.
  3. Investir: Na minha opinião, é esse cofrinho que me proporcionou um grande privilégio na vida. Este é o cofrinho que me forneceu o dinheiro com o qual eu aprenderia a correr riscos. Em outras palavras, foi por meio desse terceiro cofrinho que recebi o dinheiro real para começar a correr riscos, cometer erros, aprender lições e ganhar a experiência que me manteria em boa situação pelo resto da vida.

Pague a você próprio primeiro

Eu e minha esposa ainda temos três cofrinhos na nossa penteadeira. E ainda doamos, economizamos e investimos. A filosofia de se pagar primeiro veio do livro de “O Homem Mais Rico da Babilônia”, de George Clason, escrito há quase um século. E sua mensagem ainda é verdadeira hoje, apesar do tanto que o mundo mudou.

Quando estudo sobre a vida de pessoas muito ricas, vejo que a ideia de se pagar primeiro é fundamental para elas. É fundamental para suas vidas. O guru do mundo dos investimentos e gestor de fundos Sir John Templeton disse que faz o possível para viver com 20% da sua renda bruta e depois economiza, doa e investe os outros 80%.

Levo comigo ao longo da minha vida a lição de retribuir que aprendi com o meu pai rico. Meu pai instruído dedicou aos outros muito tempo e conhecimento, mas raramente doou dinheiro. Ele costumava dizer que doaria quando tivesse algum dinheiro extra, mas é claro que raramente havia dinheiro extra.

Meu pai rico doou dinheiro e educação. Ele acreditava firmemente no dízimo. “Se você quer algo, primeiro precisa doar”, ele sempre dizia. Mesmo quando estava com pouco dinheiro, ele ainda assim doava à sua igreja ou à sua instituição de caridade favorita.

É por isso que digo: “Ensine e você receberá”. Descobri que quanto mais ensino para quem quer aprender, mais aprendo. Se você quer aprender sobre dinheiro, ensine sobre isso a outra pessoa. Uma torrente de novas idéias e distinções mais refinadas vão aparecer.

Houve momentos em que eu doei e não recebi nada de volta ou que o que eu recebi não era o que eu queria. Mas, após uma análise mais minuciosa e uma busca na alma, percebi que com frequência nesses casos eu estava doando, mas esperando receber algo em troca. Não estava doando pelo simples prazer que o doar proporciona.

Meu pai ensinou professores e ele se tornou um mestre. Meus pais ricos sempre ensinaram aos jovens sua maneira de fazer negócios. Em retrospecto, foi a generosidade deles com relação ao que sabiam que os tornou mais inteligentes. Existem poderes neste mundo que são muito mais inteligentes do que nós. Você pode chegar lá por conta própria, mas será mais fácil com a ajuda dos poderes existentes. Você só precisa ser generoso com o que tem.

Se eu puder deixar uma única idéia com você, é essa a ideia. Sempre que sentir falta de algo ou precisar de algo, dê primeiro o que deseja e isso retornará para você em abundância. Isso vale para dinheiro, para um sorriso, para o amor ou amizade. Sei que muitas vezes isso é a última coisa que uma pessoa pode querer fazer, mas sempre funcionou para mim. Confio que o princípio da reciprocidade é verdadeiro e dou o que quero receber. Eu quero dinheiro, então eu doo dinheiro, e ele volta multiplicado. Quero vendas, então ajudo alguém a vender alguma coisa e as vendas chegam até mim. Quero contatos, ajudo alguém a obter contatos. Como mágica, os contatos vêm até mim. Eu ouvi um ditado anos atrás que dizia: “Deus não precisa receber, mas os humanos precisam dar”.

Abraço,

​Robert Kiyosaki

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